sábado, 5 de março de 2011
Tributo a uma coveira
"Sou aquela que colhe pelo caminho
Os ossos trôpegos que aqui deixaram.
Que vem cantando a alma diante da sepultura
Esperando que o falecido escute o chamado
E desça(suba) as alturas a fim de resgatá-los.
Sozinha sob a noite nevoenta.
Meus pêlos eriçados descartam a possibilidade
De perceber o bafo provido do silêncio dessa cova.
E meus olhos se fecham, ardentes,
Meus dedos se escondem atrás do crucifixo.
Sinto medo. Medo meu Deus, tão raro!
O Teu chamado não chegou a mim...
E agora prossigo caminho ao abismo.
Sei que minha alma agora está perdida,
Distante da nascente da vida,
À espera de seu fim.
Pobre coveira...minha alma se putrificou
Pela convivência com os restos cadavéricos.
Os cabelos perderam o perfume da primeira vez,
E a face jaz pálida como a lua em noites de lua cheia.
Agora só me resta fechar os olhos e esperar...
Esperar o chamado de Satã, que vem buscar essa alma perdida.
Onde estiveste maldita vida?(...)
Tarde demais...meu sangue jorra sem parar
Com a esperança, que se perdeu anos atrás.
Adeus meu Deus! Não pude seguir-te!
Os caminhos eram tão estreitos! A lassidão me encomodava.
Não tive tísico como os pessimistas, mas acompanhei de perto
A morte de minha alma. Essa coveira aqui se despede
De forma trágica, pois sua vida foi pura trevas,
E as trevas, a sua vida." [ G.M. ]
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Profundo...tanto quanto uma cova pode ser.
ResponderExcluirbjs