segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pedaços de um coração

Transparente coração de vidro,
Coração que não esconde o que sente,
Que brilha quando ama, mas que sofre por amar,
Coração de vidro tão frágil...

...Apenas um descuido e logo se parte
Triste coração que se enegrece por sofrer
Mal pode esconder quem tu és, e o que sente
Tantos o viram chorar, e jamais o viram sorrir,

Porque doce coração tu sofres tanto?
Porque não te amam como tu amas?
Será triste coração que um dia averá luz em tua vida?
Será que com o amor certo construira teu castelo?
Com lágrimas tu colas as tuas partes quebradas,
Mas cada queda os faz diminuir,

Porque, porque?
Nem tudo pode ser recuperado,

Mas tu doce coração ainda tem esperança,
Porque só tu sabes amar sem esperar ser amado,
Só tu amas sem pedir nada em troca
...

sábado, 5 de março de 2011

Tributo a uma coveira







"Sou aquela que colhe pelo caminho


Os ossos trôpegos que aqui deixaram.


Que vem cantando a alma diante da sepultura


Esperando que o falecido escute o chamado


E desça(suba) as alturas a fim de resgatá-los.





Sozinha sob a noite nevoenta.


Meus pêlos eriçados descartam a possibilidade


De perceber o bafo provido do silêncio dessa cova.





E meus olhos se fecham, ardentes,


Meus dedos se escondem atrás do crucifixo.


Sinto medo. Medo meu Deus, tão raro!





O Teu chamado não chegou a mim...


E agora prossigo caminho ao abismo.


Sei que minha alma agora está perdida,


Distante da nascente da vida,


À espera de seu fim.





Pobre coveira...minha alma se putrificou


Pela convivência com os restos cadavéricos.


Os cabelos perderam o perfume da primeira vez,


E a face jaz pálida como a lua em noites de lua cheia.





Agora só me resta fechar os olhos e esperar...


Esperar o chamado de Satã, que vem buscar essa alma perdida.


Onde estiveste maldita vida?(...)





Tarde demais...meu sangue jorra sem parar


Com a esperança, que se perdeu anos atrás.





Adeus meu Deus! Não pude seguir-te!


Os caminhos eram tão estreitos! A lassidão me encomodava.


Não tive tísico como os pessimistas, mas acompanhei de perto


A morte de minha alma. Essa coveira aqui se despede


De forma trágica, pois sua vida foi pura trevas,


E as trevas, a sua vida." [ G.M. ]

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lua perdida


Oh, triste noite, que cai sem sentido 

Faz com que as almas fiquem sem abrigo 
Estrelas pálidas rodeiam a lua perdida 
Nesta noite que encanta seres sem vida. 

Entre as árvores, cogumelos perdidos 
As folhas caem, em sinal de perigo 
Óh, lua perdida, rainha das vontades 
Por quê fazes cair lá fora a tempestade? 

Com a chuva fria, o encanto 
Seres imortais saem de seus túmulos em pranto 
Serão sempre atormentados pelo medo 
O medo, que sempre tira meu sossego. 

Óh, lua perdida, não assuste as estrelas! 
O que será de meu Anjo Triste se não vê-las? 
Deixe-me correr entre as folhas secas, mortas 
Para que o vento tire essa dor que me corta. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A luz de um sol ausente


Oculta a cidade a névoa dos meus sonhos 
Nesta idade de pedra, de bronze, de maldade 
Simplesmente, aguardo a fuga das ilusões 
Aqui me encontro, estendida e esquecida 
Lá no alto, uma estrela murcha. 
Quando tudo falta, até mesmo a ilusão 
Adormeço as horas fugazes da melancolia no sono milagroso do crepúsculo 
Só assim, consigo apagar o até então inesquecível 
Mesmo que por algumas horas 
Benditas horas de ignorância e calmaria 
Porém, depois, amanhece a tempestade 
Quão irônica natureza minha! 
E num longo dia embaçado pelas tórridas chuvas 
Que insistem em invadir o meu mundo fechado 
Tento resistir firmemente à tormenta crucial 
Percorrendo por entre névoas de incerteza 
Numa estrada sem paz 
Sob a luz de um sol ausente.